Algumas considerações sobre nosso clima.

Entrevista para a jornalista Carol Macário – Caderno de Cultura do Jornal Diário Catarinense.

A mesma saiu com o título “Planejamento urbano e preservação ambiental são o caminho para evitar as enchentes em Santa Catarina” e foi publicada no dia 10/06/2017 no link: http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2017/06/planejamento-urbano-e-preservacao-ambiental-sao-o-caminho-para-evitar-as-enchentes-em-santa-catarina-9812572.html

A chuva em SC é apenas frente fria ou tem a ver com mudanças climáticas?

As últimas chuvas que ocorreram foram áreas de instabilidade que avançaram sobre o estado de Santa Catarina, se intensificaram e formaram frentes frias. Não creio que se possa relacionar com mudanças climáticas globais.

Como os sistemas de chuva se formam em SC e de onde vêm?

A grosso modo podemos afirmar que as principais chuvas no Sul, e em Santa Catarina, vem da região Amazônica. No verão através de uma zona de convergência de ventos úmidos (ZCIT – Zona de convergência intertropical) que joga muita umidade sobre a Amazônia, e esta, contribui ainda mais com a sua evapotranspiração. No inverno a própria umidade da região. Essa umidade é deslocada pelos ventos e encontra a cordilheiras dos Andes, que acaba forçando a mesma descer ao centro do país, ajudado por um sistema de alta pressão (alta da Bolívia) com seus ventos anti-horários. Essa umidade chegando ao Paraguai, com a ajuda de outro sistema, mas de baixa pressão e seus ventos horários (baixa do Chaco) empurra essa umidade em direção a região sul, muitas vezes por meio de cavados (corredores de umidade). Essa umidade ao encontrar sistemas frios vindos do Sul provocam os sistemas frontais, ou seja, as frentes frias. Além dessas chuvas frontais, temos as chuvas convectivas formadas pelo aquecimento, que favorece a evaporação do oceano Atlântico e, por conseguinte as pancadas de chuva (tipo chuvas de verão). Por último temos aquela chuva formada pela circulação marítima, por causa de sistema de alta pressão (anticiclone) sobre o oceano, que atua principalmente no litoral, de forma fraca e isolada.

Quais principais motivos de termos frentes frias em SC: fenômenos como El Niño ou La Niña ou outras razões?

O principal motivo de termos a passagem de frentes frias é nossa proximidade com o Sul do continente, que alguns autores chamam de cinturão frontal outros de zona da frente polar, ou seja, local onde se formam as frentes frias. Lembrando que no outono/inverno esses sistemas se intensificam pela presença da Massa Polar Atlântica (mPa), mas mesmo na primavera/verão esses sistemas chegam ao nosso estado em menor número.

Em relação ao resto do país, SC está numa região que favorece o sistema de chuva?

A região sul está mais sujeita as chuvas frontais, bem como a região sudeste em menor grau. Nos demais tipos de chuvas não.

Tem-se a impressão que alguns em anos chove mais que outros. Isso é cíclico, é normal?

A impressão é correta, e é isso mesmo que acontece, mas não é cíclico. Parte do outono do ano passado, os dois primeiros meses, também tiveram chuva acima da média histórica, como neste ano. As chuvas na região sul de forma geral têm o mesmo comportamento, olhando a série histórica, a longo prazo, onde temos o máximo de chuva no verão/primavera e o mínimo no outono/inverno. No verão mais chuva e no inverno menos chuva. Temos chuvas bem distribuídas durante o ano todo.

Você comentou sobre alguns poucos trabalhos pontuais que investigaram a chuva em SC e a quantidade. Na região do Vale do Itajaí, como você percebe a partir de 1980? Veio numa crescente ou não?

Não, pelos dados variou tanto anual, como pelas estações, pelas influências do El Niño/La Niña e outras. Os cinco anos mais chuvosos desde 1980, foram pela ordem 1983, 2008, 1998, 2015 e 2011.

 

Anúncios

O outono começa hoje à noite.

O outono astronômico começará hoje às 19h45min, ou seja, o equinócio de outono no hemisfério sul. O equinócio representa que as horas do dia e noite são iguais. O outono é uma estação de transição entre o verão e o inverno, onde a primeira metade mantém características do verão e a segunda metade assumindo características do inverno. Só percebemos o outono, como a primavera, com maior clareza nas médias latitudes (climas temperados ou subtropicais), onde essa estação fica mais evidenciada, principalmente pela temperatura.

Para a região de Itajaí essa estação traz temperaturas máximas de 27°C, 24°C e 15°C respectivamente e médias da mínimas de 18°C, 15°C e 13°C. Assim fica evidenciado a lenta diminuição da temperatura em direção ao inverno. Outra característica é a diminuição dos totais de chuva com 124 mm para Abril, 114 mm para Maio e 104 mm para Junho. Os sistemas frontais (frentes frias) também serão mais frequentes, bem como a passagem de ciclones extratropicais.

Os principais institutos nacionais com seus modelos apontam para a presença do El Niño, mas de forma fraca para esse outono. Os modelos nacionais colocam precipitação dentro da média histórica para o litoral e na média e acima da média para o interior do estado. Quanto as temperaturas ficarão na média e acima da média histórica.

Os modelos internacionais (NCEP-NOAA/IRI-COLUMBIA, etc.) corroboram com a presença do El Niño para essa estação. Quanto a temperatura esses modelos também indicam temperaturas acima da média histórica. Quanto a precipitação alguma divergência. Esses modelos colocam chuva na média e acima da média histórica para os meses de Abril e Maio no estado, e não somente no interior.

Importante ressaltar que as chuvas começam a diminuir no outono, mas principalmente na região sul devido a mudança do tipo de chuva. No verão as chuvas convectivas (pancadas de verão) prevalecem, mas com a presença também das chuvas frontais (passagem de frentes frias). O outono as chuvas convectivas diminuem e assim os totais também diminuem. Contudo nesse outono a temperatura da superfície do mar (TSM) do Atlântico Sul está mais quente, favorecendo a presença maior das chuvas convectivas. Assim é possível termos chuva acima da média histórica, mas sem prognósticos ou confirmação de volumes elevados nesse momento.